No último sábado (29 de agosto) realizou-se no Jardim Botânico do Rio de Janeiro uma especial passarinhada em comemoração aos 30 anos do Clube de Observadores de Aves (COA-RJ), numa rara oportunidade de confraternização entre alguns dos sócios-fundadores do Clube e a nova geração de observadores de aves.
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A comovente história de Fred: um papagaio exótico resgatado pela força da fé e do amor às aves
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| Fred foi cuidado e alimentado no Dia das Mães (Foto: Dora Rodrigues Hees) |
Qual a probabilidade de um papagaio exótico cortar a tela de proteção de um apartamento, sair voando pela janela, perder-se entre os prédios de uma cidade grande, ir parar em um bairro vizinho e retornar ao local de origem em menos de 3 dias?
Contrariando todas as previsões, foi isso o que aconteceu neste último sábado, véspera do Dia das Mães (9 de maio), com desfecho na segunda-feira (11 de maio), na cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Em comum aos protagonistas dessa história, havia o amor pelas aves, cada qual à sua maneira.
Um macho de Lóris-arco-íris (Trichoglossus haematodus), ave exótica originária das Ilhas da Indonésia, Austrália e Nova Guiné, de nome Fred, fugiu na tarde de Sábado (9 de maio) do apartamento de Silvana Oliveira, localizado na Praia de Botafogo, onde vivia com ela e sua família (o marido Wagner, e os filhos Rafael e Sabrina) há pelo menos 4 anos.
Ao perceberem o sumiço da ave a família passou por momentos de grande aflição, mas Silvana, devota de Santo Antônio (famoso por ajudar a encontrar coisas perdidas), não perdeu a fé. Entrou em contato com as Irmãs Clarissas de um Mosteiro no bairro do Jardim Botânico (Clarissa vem de Santa Clara, que foi contemporânea de São Francisco de Assis, padroeiro e protetor dos animais), que imediatamente iniciaram uma corrente de orações para a localização de Fred.
Era véspera do dia das mães e ninguém conseguia dormir. A caçula da família, Sabrina, passou a noite imprimindo cartazes que na manhã seguinte seriam espalhados por vários bairros da Zona Sul, anunciando o sumiço da ave e fornecendo um número de celular para contato. Silvana chegou a ver a filha chorando desesperadamente de madrugada, pois o cartucho da impressora havia esvaziado, e não poderia imprimir mais cartazes até a manhã seguinte.
Enquanto isso, no Domingo de dia das mães (10 de maio), em uma rua bucólica do bairro de Laranjeiras, Dora Rodrigues Hees, integrante do Clube de Observadores de Aves do Rio de Janeiro (COA-RJ) almoçava em seu apartamento com o marido quando ouviu um canto de ave distinto de todos aqueles com que estava habituada. Não teve dúvida, pegou logo sua câmera fotográfica e foi atrás da ave que, após permanecer por alguns instantes no play de seu prédio, voou em direção a um antigo casarão tombado, do outro lado da rua, onde a falecida proprietária ensinava canto lírico. Ex-empregados do antigo casarão colocaram Fred em uma gaiola e lhe deram frutas, pois parecia faminto e assustado.
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| Dora Rodrigues Hees: o canto de Fred chamou sua atenção Foto: Arquivo pessoal da família Hees |
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Casarão tombado em Laranjeiras, onde Fred foi cuidado
Foto: Dora Rodrigues Hees
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De posse da fotografia de Fred, Dora a enviou por e-mail, no domingo à noite, a outros sócios do COA-RJ, pois estava preocupada com as condições da ave, que se encontrava devidamente anilhada. Os observadores mais experientes ajudaram a identificar a espécie e ressaltaram que, embora nada se compare à ave livre na natureza, não se deve libertar uma ave que tenha nascido e sido criada em cativeiro, já que não é capaz de sobreviver em vida livre.
Na manhã de Segunda-feira (11 de maio), João Sérgio Barros, outro sócio do COA-RJ, avistou um dos cartazes impressos com uma foto de Fred, no bairro do Flamengo. Anotou o número do celular e o informou a Dora que, em contato com Silvana, viabilizou a entrega de Fred para seus donos.
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| João Sérgio Barros (sócio do COA-RJ) e seu filho Foto: Arquivo pessoal da família Barros |
Silvana e sua família ficaram muito felizes com o desfecho da história e prometeram associar-se ao COA-RJ.
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| Fred de volta ao lar: família novamente reunida Foto: Arquivo pessoal da família Oliveira |
Como retribuição a Dora, entregaram-lhe um buquê de flores e duas toalhas de mão bordadas com lindos pássaros, acompanhadas de um cartão de agradecimento.
Ainda na segunda-feira, às 18h, foi realizada uma Missa de Ação de Graças, celebrada pelo padre Marcos com as freiras do Colégio da Imaculada Conceição, no bairro de Botafogo.
Essa é uma história de fé e de amor às aves, e, como muitas outras histórias, só permanecerá viva enquanto estiver sendo contada. Sua publicação nesse site é uma tentativa de eternizá-la.
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Visita à Pista Claudio Coutinho no Morro da Urca (RJ): paraíso do Tiê-Sangue e outras aves
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| Entrada da Pista Claudio Coutinho (Urca - RJ) |
A pista Claudio Coutinho, localizada no Morro da Urca, no Rio de Janeiro (RJ), leva esse nome em homenagem ao ex-treinador da Seleção Brasileira de Futebol e antigo formando da Escola de Educação Física do Exército, Claudio Pêcego de Moraes Coutinho.
A pista é também conhecida como "Estrada do Costão" ou "Caminho do Bem-te-vi", embora neste último caso seja mais apropriado chamar de "Caminho do Tie-sangue", já que essa ave espetacular de cor vermelho-sangue pode ser ali avistada em grande profusão.
O acesso à pista se dá pela Praia Vermelha, um dos muitos cartões-postais da Cidade Maravilhosa.
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| Morro da Urca e Pista Claudio Coutinho vistos da Praia Vermelha (clique para ampliar) |
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| Praia Vermelha (Urca - RJ) (clique para ampliar) |
Hoje o passeio mensal organizado pelo Clube de Observadores de Aves do Rio de Janeiro (COA-RJ) ocorreu nesse local e tivemos a oportunidade de acompanhar de perto essa animada "passarinhada".
O dia estava bem claro, com a presença de pouquíssimas nuvens apenas no início da manhã, que foram logo dissipadas com a elevação do sol.
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| Cristo Redentor visto da Praia Vermelha: dia de poucas nuvens (clique para ampliar) |
Ainda na Praia Vermelha, antes da entrada na pista Claudio Coutinho foram observadas várias Caturritas (Myiopsitta monachus) pousadas nos coqueiros junto à areia. Embora nativas das regiões subtropical e temperada da América do Sul, já há alguns anos as Caturritas parecem ter adotado a cidade para sua permanência e reprodução.
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| Caturrita pousada em coqueiro (clique para ampliar) |
Conforme relatamos no artigo A sociável família dos Psitacídeos, as Caturritas são a única espécie de aves da família dos psitacídeos aptas à construção de ninhos, e hoje foram vistas várias delas trazendo em seu bico pequenos galhos secos para a nidificação. Elas também vocalizaram com bastante intensidade, para o deleite dos amantes das aves.
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| Caturrita vocalizando (clique para ampliar) |
Já dentro da pista Claudio Coutinho a estrela principal não tardou a aparecer. O belíssimo Tiê-sangue (Ramphocelus bresilius), ave tipicamente brasileira e símbolo da Mata Atlântica, logo abriu a passarinhada, alimentando-se do fruto da Aroeira (Schinus sp.). Ao final do passeio, pousou bem perto para o registro da fotógrafa da natureza Maria Isabel Hofmann, que gentilmente nos cedeu a imagem.
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| Tiê-sangue (Ramphocelus bresilius) consumindo o fruto da Aroeira (Schinus sp.) (clique para ampliar) |
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Tiê-sangue (Ramphocelus bresilius)
Foto: Maria Isabel Hofmann
(clique para ampliar)
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| Gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea) (clique para ampliar) |
Quem igualmente marcou presença foi a Asa-branca (Patagioenas picazuro), imortalizada nos versos de Luis Gonzaga e Humberto Teixeira, que chegou de mansinho pelo alto, voando sublime até pousar alguns minutos para a apreciar a paisagem, deixando à mostra a asa de coloração branca que justifica seu nome popular.
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| Asa-branca (Patagioenas picazuro) (clique para ampliar) |
O Martim-pescador-grande (Megaceryle torquata) foi outro que passou voando sobre o grupo, mas preferiu a sombra e a brisa do mar para descansar junto aos rochedos.
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| Martim-pescador-grande (Megaceryle torquata) (clique para ampliar) |
Um acontecimento que causou verdadeira comoção nos observadores foi a presença bem próxima de um casal de Garrinchão-de-bico-grande (Cantorchilus longirostris), vocalizando em alternância com grande beleza. Foi realmente um momento especial. O registro do casal coube ao fotógrafo da natureza Pedro Inácio de Paula, que gentilmente nos cedeu a imagem.
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| Casal de Guarrinchão-de-bico-grande (Cantorchilus longirostris) Foto: Pedro Inácio de Paula (clique para ampliar) |
No final do percurso ainda foi possível observar, entre o Costão e a Ilha de Cotunduba, vários bandos de Atobás-pardos (Sula leucogaster) voando bem rente à água, normalmente em linha reta, como é característico da espécie, ficando seus dorsos bem camuflados quando contrastados com a água do mar. A imagem dos Atobás-pardos é do fotógrafo da natureza Pedro Inácio de Paula.
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| Ilha de Cotunduba vista da pista Claudio Coutinho (clique para ampliar) |
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| Atobás-pardos (Sula leucogaster) Foto: Pedro Inácio de Paula (clique para ampliar) |
Muitas outras aves foram identificadas ao longo do passeio, como sanhaçu-do-coqueiro, bem-te-vi, bentevizinho-de-penacho-vermelho, corruíra, canário-da-terra-verdadeiro, cambacica, beija-flor-de-fronte-violeta, fragata, urubu e outras que fizeram do evento uma passarinhada empolgante que merece ser repetida em outras oportunidades. Por fim, o registro do Pica-pau-anão-barrado (Picumnus cirratus) feito pela fotógrafa da natureza Maria Isabel Hofmann.
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Pica-pau-anão-barrado (Picumnus cirratus)
Foto: Maria Isabel Hofmann
(clique para ampliar)
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A Magia dos Tucanos-de-bico-preto
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| Tucanos-de-bico-preto consumindo os coquinhos da Palmeira-australiana (Archontophoenix cunninghamii)
Poucas coisas impressionam tanto os habitantes das grandes cidades quanto o encontro inesperado com os Tucanos-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus).
Na cidade do Rio de Janeiro, moradores e turistas têm o privilégio de poder observá-los com certa facilidade em bairros residenciais e em diversas áreas verdes, especialmente no Jardim Botânico, onde sobrevoam praticamente todos os dias em busca de alimentos, que vão desde os frutinhos das variadas palmeiras presentes no arboreto, até insetos, ovos e filhotes de outras aves. Por isso, fazem jus ao título de ave-símbolo do Município do Rio de Janeiro, conferido pelo Clube de Observadores de Aves local (COA-RJ). E pensar que quase foram extintos da cidade até sua reintrodução na década de 1960 (a murça que acompanhava o manto imperial de Dom Pedro II foi feita de papos de tucano).
Além do longo e brilhante bico, suas cores impressionam: são discerníveis a olho nu, e vão desde o amarelo-alaranjado do papo, que se repete na base do bico, até o vermelho que contorna os olhos, estes de um intenso azul, sem contar uma faixa azul mais clara presente apenas na parte superior do bico. Com o uso de um binóculo a visão é espetacular, capaz de deixar estupefato o mais insensível dos mortais.
As cores vibrantes e a imponência do Tucano-de-bico-preto
(clique para ampliar)
Logo no início da manhã ou ao cair da tarde é possível vê-los com mais facilidade, como, aliás, costuma ocorrer com grande parte das aves, na sua intensa disputa por território. O importante é prestar bastante atenção à sua vocalização (o observador de aves logo se acostuma a ela) e parar alguns instantes próximos às palmeiras em frutificação (os tucanos fazem um barulho estridente, o que não deixa de ser uma vantagem quando se trata de localizá-los entre as árvores e a vegetação).
Faça uma pausa na correria do dia a dia, eleve seus olhos para o céu e se deixe encantar pela beleza dos tucanos. Quanto mais observar, mais apreciará seus detalhes estéticos e de comportamento.
Em se tratando de contemplação da vida, um momento nunca será igual ao outro. Aprecie e celebre a magia dos tucanos!
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| Tucano-de-bico-preto bebendo água (no detalhe, a mancha azul clara na parte superior do bico) (clique para ampliar) |
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