Observação de Aves no Jardim Botânico do Rio de Janeiro: uma introdução


Para além da famosa aleia de palmeiras imperiais, o Jardim Botânico 
oferece diversas áreas de refúgio contra o estresse da cidade

O Jardim Botânico do Rio de Janeiro, situado na zona sul da cidade, é certamente um daqueles lugares que ocupam um espaço especial no coração do carioca.

Fundado em 1808 (mesmo ano em que a Família Real veio ao Brasil), conta com uma extensa e diversificada área verde, o que se justifica muito em parte pelo fato de ter sido utilizado, inicialmente, como local de pesquisa com vegetais oriundos de outras províncias de Portugal.

Para além de uma área de lazer, conhecida por sua famosa aleia de palmeiras imperiais, o Jardim funciona muito bem como um espaço de meditação e contemplação da natureza. Trata-se de uma joia rara, verdadeiro refúgio contra o estresse da cidade grande.

Nos últimos anos, o Jardim vem recebendo crescente visita de observadores de aves, que ali encontram inúmeras árvores frutíferas que atraem um sem número de aves, muitas das quais são residentes, e outras migratórias.

A saída para a "passarinhada" costuma ocorrer no último sábado de cada mês, a partir das 8h, e o ponto de encontro é o antigo Café Botânica, já dentro do Jardim.

À frente dos observadores e curiosos, o ornitólogo Henrique Rajão conduz o passeio e transmite informações valiosas sobre o hábito das aves.

Nesse sábado houve mais uma passarinhada no Jardim Botânico. O dia começou nublado e o tempo foi abrindo timidamente. O solo ainda estava bastante úmido em razão da forte chuva (já era hora) que caiu com vigor na última madrugada.

A paisagem do Jardim, apesar do céu esbranquiçado, continuava deslumbrante e os visitantes foram agraciados com a beleza do pequeno lago na região da "restinga", tomado de botões de Ninféias (Nymphaea sp.) em flor.

Região da "restinga" tomada de Ninféias (Nymphaea sp.) em flor
(clique para ampliar)

Por conta da chuva recente a passarinhada estava num grande alvoroço e foi possível até ver briga de psitacídeos, tucanos e jacupembas.

Falando em psitacídeos (aquela família de aves muito sociáveis que imitam vários tipos de sons, como o papagaio) havia vários bandos deles, desde periquitos, tiribas, até maracanãs. Um casal de periquitos-ricos (Brotogeris tirica) pode ser observado em uma árvore bem alta (para conhecer mais sobre os psitacídeos leia o post A sociável família dos Psitacídeos).

Casal de periquitos-ricos (Brotogeris tirica)
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Ao longo do passeio foi possível observar algumas árvores em floração, dentre elas a vistosa Abricó-de-macaco (Couroupita guianensis), que também apresentava frutos bem grandes, semelhantes a uma bola de basquete (ou a uma "bala-de-canhão", nome pelo qual também é conhecida essa árvore).


Abricó-de-macaco (Couroupita guianensis)
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Outra árvore que estava em frutificação é a Embaúba (Cecropia sp.), que atraiu vários tucanos-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus), os quais puderam ser admirados bem de perto pelos observadores.

Tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus
consumindo o fruto da Embaúba (Cecropia sp.)
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Tucano-de-bico-preto adulto alimentando 
filhote com o fruto da Embaúba
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Mas não só no topo das árvores é possível ver as aves. Muitas delas, como a lavadeira-mascarada (Fluvicola nengeta) e o coleirinho (Sporophila caerulescens) estão sempre próximas do chão, já que se alimentam, respectivamente, de pequenos artrópodes e de grãos e sementes.


Lavadeira-mascarada (Fluvicola nengeta)
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Coleirinho (Sporophila caerulescens)
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Outra ave que costuma ficar muito no solo é a Jacupemba (Penelope superciliaris), mas prefere descansar empoleirada. Hoje foi vista numa posição mais alta que a de costume.

Jacupemba (Penelope superciliaris)
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Muitas outras aves foram observadas, como bem-te-vi, suiriri, rolinha-roxa, sabiá-laranjeira, sabiá-barranco, tico-tico, mariquita, teque-teque, saracura-do-mato etc., mas nem sempre foi possível o registro fotográfico, e é isso o que torna cada passeio ao Jardim Botânico único.

E você, o que está esperando para comparecer à próxima passarinhada?

Gostou desse post? Fique à vontade para comentar ou contar sua experiência com as aves nesse espaço especial que é o Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Prefere ver mais fotos de tucanos no Jardim Botânico? Então leia o post A Magia dos Tucanos-de-bico-preto.



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4 comentários:

  1. Visitei o Jardim Botanico em 9 de Março de 2017 e não vi nem escutei nenhuma ave (passarinhos,tucanos,macacos etc...) - onde estão eles? Também verifiquei um certo abandono e falta de bancos na caminhada.... Não gostei

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    1. Olá, tudo bem? Agradeço deixar o seu comentário aqui no blog. Sobre as aves do Jardim Botânico, elas estão todas lá, é uma questão de treinar o olhar, mas pode ser que não tenha dado sorte dessa vez. Até onde pude verificar na minha ida lá há vários bancos sim. Dê uma segunda chance ao local. É um dos poucos refúgios no Rio de Janeiro.

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  2. Ola. Visitei o JB recentemente para fotografar aves. Avistei o tucano, lavadeira, sabia, socozinho e alguns outros, mas achei pouco para o local. Alguma dica de horário (fui na abertura) e condição do tempo para conseguir mais opções de registros?

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    1. Olá. Agradeço seu comentário. A questão do avistamento depende de vários fatores, como o próprio clima e frutificação das árvores. Normalmente de manhã cedo e ao final da tarde aumentamos as chances de avistamento. Um abraço.

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