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Entrevista com Aisse Gaertner

Aisse Gaertner em Manaus-AM (foto: arquivo pessoal)

3 MINUTOS DE LEITURA

Guitarrista e backing vocal da Black Bird Band, uma banda cover dos Beatles de muito sucesso, Aisse Gaertner é o entrevistado de hoje do Aves & Árvores. Confira a seguir!
 

Entrevista com Lena Trindade


A fotógrafa de natureza, Lena Trindade
(Jardim Botânico do Rio de Janeiro)

6 MIN, DE LEITURA

No último dia 10 de janeiro o site Aves & Árvores completou 3 anos de existência. Em comemoração à data, entrevistamos a fotógrafa de natureza Lena Trindade, autora de publicações sobre parques e jardins urbanos do Rio de Janeiro, dentre diversas outras obras.

A entrevista foi concedida durante o passeio de observação de aves no Jardim Botânico do Rio que encerrou a temporada do último ano. Confira!

* * *

Aves & Árvores: Como descobriu a fotografia de natureza? E o gosto pelas aves?

Lena Trindade: Quando comecei a fotografar, sempre fui atraída pela natureza, mas gostava das pessoas que tinham uma relação com a natureza, como o pescador, o seringueiro, o artesão. Em uma viagem que fiz para a Amazônia caminhei muito e descobri o prazer de andar pela natureza. Quando retornei de lá para o Rio de Janeiro procurei por grupos que saíssem para a natureza, alpinistas, orquidófilos, até que li matéria em uma revista falando do Clube de Observadores de Aves (COA/RJ). Eu não era observadora de aves, mas pensei: "quem quer observar aves vai para a mata", então fui aos encontros com esse interesse, ir para a mata, até que me apresentaram um binóculo e, no que eu vi uma ave chamada "Viuvinha" fiquei absolutamente impressionada com os detalhes da beleza da plumagem. Até aí a natureza era o fundo para os personagens, a partir de então tirei os personagens e fiquei com a natureza pura, com as aves, borboletas. Atualmente, estou num momento em que junto tudo, integro o homem na natureza.

Aves & Árvores: O que mais estimula seu trabalho, a busca pelo registro de uma espécie ainda não fotografada ou de alguma já registrada, em uma situação ou flagrante especial?

Lena Trindade: Eu não tenho essa preocupação com aquela ave que não tem registro, que ninguém fotografou. Claro que todo mundo gosta de fotografar algo inusitado, que ninguém nunca fez. Eu, por exemplo, tenho um desejo de fotografar a Saíra-apunhalada, ainda não consegui, mas ainda não investi nisso. Não chega a ser uma obsessão, mas claro que se ocorrer ficarei muito feliz.

Aves & Árvores: Pode indicar uma ave de que tenha tido bastante satisfação em fotografar? Tem uma ave preferida?

Lena Trindade: Não tenho uma ave preferida, mas lembro do prazer enorme de fotografar o "Tiê-sangue" em Cabo Frio. É um pássaro que tem uma ligação forte com a restinga e eu sou de Cabo Frio, então foi muito prazeroso fotografá-lo, inesquecível. A beleza dessa ave é algo fora do comum. As aves têm cada uma sua beleza particular.



"Tiê-sangue" (Ramphocelus bresilius)
fotografado por Lena Trindade em Cabo Frio/RJ

Aves & Árvores: No fim do ano passado foi lançada uma nova edição do excelente Guia das Aves do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em que você contribuiu originalmente com inúmeros registros fotográficos da avifauna local. Há novidades captadas por suas lentas nessa recente edição?

Lena Trindade: Ainda não é uma edição como nós queremos. Não houve ainda oportunidade, por falta de patrocínio, de investir num livro completo com todas as novidades que o Jardim apresentou e que a gente gostaria de fazer, mas conseguimos colocar nessa edição algumas aves que estão ainda sem verbete, sem verbete em inglês, mas em que há o registro fotográfico, como o "Bentevizinho-de-asa-ferrugînea", uma foto muito interessante em que consegui registrar a crista e o ferrugíneo da asa, além do "Socó-boi". Outros registros ficarão para uma próxima edição.

Aves & Árvores: Considera o Jardim Botânico do Rio de Janeiro um local especial para a fotografia?

Lena Trindade: O Jardim Botânico é absurdamente especial, sempre apresentando novidades, você tem surpresas o tempo todo, com espécies novas e essa possibilidade advém do fato desse corredor que ele faz com a Floresta da Tijuca. Aqui há uma riqueza muito grande e é um local de extrema segurança e isso faz diferença. Aqui você pode ficar sozinho, tranquilo. Há lugares bons, como Parque Laje, Bosque da Barra, a Floresta da Tijuca é espetacular, mas segurança igual aqui não tem. Semana retrasada vimos aqui o "Bigodinho", uma ave que é linda e que eu nunca tinha visto aqui, não sei se ela vai começar a aparecer aqui. É capaz dela se tornar habitual aqui. Se isso ocorrer vai acabar entrando no Guia das Aves.

Aves & Árvores: Há ótimas publicações de sua autoria sobre parques urbanos no Rio de Janeiro; as árvores também ocupam um lugar especial em seu trabalho?

Lena Trindade: Eu acho que qualquer observador de aves tem que ter um interesse também muito grande pelas árvores, porque é lá que elas vivem. É um descanso ver uma árvore frondosa. Aqui no Jardim Botânico eu não perco nunca o grande fenômeno que é a aleia do Pau Mulato, se transformando da cor azeitona, para o cobre, dourado. A Sumaúma há pouco tempo invadiu o Jardim com sua floração, parecendo neve caindo. A floração dos ipês é linda, tem o amarelo, tem o rosa, o de bola. Para mim, as aves são indissociáveis das árvores.

Aves & Árvores: Recentemente, você participou do lançamento do livro “Plantas do Jardim” (editora Papelera Cultural). Pode falar um pouco dessa publicação e de sua participação na obra?

Lena Trindade: Esse livro não é um projeto meu, mas fui convidada a participar pela Daniela James, que ilustrou o livro, e que foi escrito pela Simone Intrator. Não sabia inicialmente qual era o conceito exato. Fiquei surpresa em ver uma obra muito bem editada, em um conceito quase infanto-juvenil, para pessoas que além de ver querem aprender alguma coisa. São cerca de 30 plantas do Jardim com características peculiares. Temos o Pau-brasil, que é uma árvore que dá o nome ao nosso país, a Palmeira Imperial, que tem toda uma história ligada com o Jardim Botânico. O livro é dividido em segmentos: árvores, bromélias, cactos e insetívoras. É um livro bastante didático. Por exemplo, muita gente não sabe que o abacaxi é uma bromélia. O livro tem um glossário que diz o que é bioma, traz também algumas ervas medicinais. A pesquisadora Nara Vasconcelos já trabalhou muito tempo no Bromeliário, é bióloga e foi quem forneceu o embasamento científico por trás do livro. Gostei muito de participar.


Detalhe do livro "Plantas do Jardim"
(editora Papelera Cultural)

Aves & Árvores: Que dicas poderia dar aos iniciantes na fotografia de natureza? Há alguma orientação especial para fotografar as aves e as árvores?

Lena Trindade: Em primeiro lugar, estar na natureza o máximo possível, pois é ali onde tudo acontece e muitas vezes saímos de casa para fazer uma coisa e voltamos com outra. Eu desenvolvo um trabalho que já tem muitos anos, mas que não depende da minha determinação, que é camuflagem e mimetismo na natureza. Não tem como você sair e dizer "vou fotografar o bicho-pau", ou você encontra ele no dia por acaso ou não vai ter a foto dele. O grande barato é estar sempre com a máquina fotográfica. Atualmente os celulares estão com uma capacidade de registro muito boa. Depois do advento da digital é um prazer não só observar a natureza como registrá-la. Outra dica é procurar as pessoas que conhecem o assunto, os biólogos, para saber o comportamento da fauna. Eu já fiquei um tempo para fotografar a "Borboleta-da-praia" (Parides ascanius) e ia sempre nos horários errados, até que fui saber que ela só voa no início da manhã ou no começo da tarde.

Aves & Árvores: Gostaria de deixar um recado final aos nossos leitores?

Lena Trindade: Devemos valorizar nossa linda natureza brasileira, observando, frequentando, divulgando. Onde você estiver sempre terá a oportunidade de ver uma ave bonita, uma árvore, uma planta. Aqui no Rio de Janeiro há tantas possibilidades, a natureza é tão rica, temos a pista Claudio Coutinho, o mar, as aves marinhas. Basta estar um pouco atento que você irá começar a gostar e isso é importante, precisamos disso, quanto mais gente observando e apreciando melhor.

* * *

Novidade em 2018

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Entrevista com Eduardo Brettas


O ilustrador de aves, Eduardo Brettas
(foto: arquivo pessoal)

Oi amigos, tudo bem? Hoje o Aves & Árvores completa seu primeiro ano de existência. Como já havia adiantado no último post, trago em comemoração a essa data uma surpresa especial: a primeira entrevista do blog!

O entrevistado é nada menos que o estimado Eduardo Brettas, um dos maiores ilustradores de aves do Brasil e do mundo.

Mineiro nascido em Ponte Nova (MG), Brettas reside atualmente em Juiz de Fora (MG), onde fica seu ateliê. Brettas é alguém dotado de talento realmente excepcional. Quem conhece seus trabalhos sabe que não estou exagerando. O domínio técnico e o acabamento de suas obras falam por si.

Conheci o entrevistado há cerca de três anos, durante o Avistar Rio 2013, evento que celebra a atividade de observação de aves, e que fora realizado, naquela ocasião, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, "templo maior" dos "passarinheiros" na Cidade Maravilhosa.

Tive o privilégio, juntamente com outros participantes, de passar algumas horas de uma tarde de sábado recebendo as instruções de Brettas, que nos concedeu ainda a oportunidade de acompanhar uma ilustração sua, feita ali em tempo real. Lembro que só faltava "a ave sair voando do papel"! Aliás, essa impressão é compartilhada pelos admiradores de seu trabalho, basta conferir seus desenhos e chegar à idêntica conclusão.

Ficou marcada em minha memória aquela tarde em que ele nos conduziu para dentro do Jardim Botânico, para que pudéssemos ilustrar as aves do jeito ideal, vendo-as livres na natureza, iniciando logo em seguida os primeiros traços no papel, com base apenas no que conseguimos enxergar em nossas retinas e fixar em nossas mentes.

Por todos esses motivos, Brettas me remete à figura de alguém especial no universo das aves, a quem agradeço a gentileza da concessão dessa entrevista, que vocês poderão acompanhar agora.

Entrevista com Eduardo Brettas

Aves & Árvores: Quando descobriu o talento para o desenho? E a paixão pelas aves?

Eduardo Brettas: Paixão pelo desenho vem de quando eu tinha 6 anos, quando rabiscava meus cadernos de desenho do primário.

Adorava desenhar baleias e cachalotes e sabia inclusive as medidas desses bichos fantásticos. Depois vieram os dinossauros e então as aves já no início dos anos 80, quando comprei um livro, "Atlas da Fauna Brasileira". Tinha desenhos do alemão Ernst Lohse e me apaixonei pelos trabalhos do artista.

Aves & Árvores: A alta qualidade técnica de suas ilustrações é reconhecida internacionalmente. Como desenvolveu essa arte? Teve algum orientador ou foi autodidata?

Eduardo Brettas: Não tive orientação, pois morava em Ponte Nova - MG e a cidade tinha poucos recursos em material e nenhum professor de aquarela.

Tive muitas dificuldades. Ficava olhando os desenhos do Willian T. Cooper, Etienne Demonte e Paul Barruel, imaginando como eles tinham conseguido fazer detalhes tão precisos.

Acho que isso me atrapalhou no desenvolvimento do meu trabalho, eu poderia ter queimado etapas se tivesse tido alguma orientação, mesmo assim eu corri atrás!

Aves & Árvores: É verdade que visitou museus de história natural para estudar os detalhes de espécies de aves difíceis de observar na natureza?

Eduardo Brettas: Isso é importantíssimo, visitei museus em Minas, Rio e São Paulo para obter as cores das aves e informações das etiquetas.

Aves & Árvores: Considera a visita a campo uma etapa importante da ilustração científica?

Eduardo Brettas: Sim, é uma delas. Para quem quer e gosta de desenhar aves é fundamental que estude a morfologia, comportamento, alimentação etc., além é claro de ir a campo para observar e desenhar.

Ateliê de Eduardo Brettas
(foto: arquivo pessoal)

Aves & Árvores: Quanto tempo, em média, leva para finalizar uma ilustração?

Eduardo Brettas: Depende, pode ir de 3 horas para uma ilustração de um guia de campo a pinturas que podem levar até oito dias quando são maiores e necessitam de pintar o ambiente da espécie escolhida.

Aves & Árvores: Que materiais utiliza normalmente para a confecção de suas obras?

Eduardo Brettas: Tintas guache Talens, pincel da Tigre (série 485) e Winsor & Newton (série 7), e papel Fabriano 300g.

Aves & Árvores: Tem uma espécie ou família de aves de que goste particularmente de ilustrar?

Eduardo Brettas: Sou apaixonado pelos Thamnophilidae! São lindos pelo porte, cores e detalhes nas penas.

Aves & Árvores: É possível viver de ilustração científica de aves no Brasil? No momento, está trabalhando em algum projeto?

Eduardo Brettas: Terminei o "Terra Papagalli", livro que foi lançado em dezembro. Atualmente, trabalho em dois grandes projetos, guia de Princeton e Beija-flores. Além disso, realizo trabalhos para galerias de arte e colecionadores aqui e fora do Brasil.

Desenho muito o dia todo, mas viver de ilustração de aves no Brasil para quem está começando é muito complicado. Não temos um bom mercado, nossa educação é deficiente e a concorrência de fora é grande. Temos livros feitos sobre nossas aves sem nenhum pintor brasileiro.

Aves & Árvores: Qual sua mensagem para quem quer se dedicar à ilustração científica de aves?

Eduardo Brettas: Como disse, não é fácil, mas assim que eu atravessei a ponte eu a joguei no chão, então não tinha mais como voltar e segui em frente. Era o único jeito! Tive muito apoio da minha família.

Quem quer, siga em frente, estude e aprenda. Depende de cada um! Precisamos ter mais artistas nessa área, é importante, pois isso fará a profissão ser conhecida e valorizada.

Observação Final

Não poderia encerrar a entrevista sem recomendar as inúmeras ilustrações de Brettas, verdadeiras obras de arte que têm o mérito de capturar nossa atenção à primeira vista, tamanha a beleza de seus traços. Não deixem também de acompanhar outras preciosidades na página pessoal de Brettas, acessando esse link.



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