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Pássaros de Gramado | RS


Tico-tico sobre o telhado da Igreja de São Francisco de Assis
(Mini Mundo - Gramado | RS)

2 MIN, DE LEITURA

No final de novembro viajei com a família para conhecer o famoso Natal Luz em Gramado, cidade da Serra Gaúcha localizada a 115 km de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul. Já havia estado lá em lua-de-mel e no festival de cinema, mas não poderia imaginar que a cidade ficasse tão bonita com as ruas enfeitadas e com um clima de alegria contagiante por toda a parte.

O bioma local é a Mata Atlântica, com alguma presença de Mata de Araucária, por isso pude identificar um bom número de espécies que já conhecia da região sudeste, como sabiás, canários-da-terra, pardais e tico-ticos.

Ao menos na primavera, o Tico-tico (Zonitrichia capensis) parece ser o pássaro que mais se faz notar no centro de Gramado, cantando ao longo de todo o dia em praticamente todas as partes da região central. Ali seu canto se torna ainda mais melodioso pela diminuta poluição sonora nas ruas da cidade, onde não se vêem ônibus e os veículos costumam aguardar a travessia dos pedestres sem buzinar.

Foi no Mini Mundo que consegui o melhor registro da espécie que ilustra o post de hoje. Por essas coincidências da vida, o pássaro ficou bastante tempo pousado no telhado em miniatura da Igreja de São Francisco de Assis, justamente ele, considerado o santo protetor dos animais e o padroeiro da ecologia.


BOAS FESTAS!

Agradecemos sua visita e sua participação ao longo desse ano. Retornaremos com as matérias no ano que vem, desejando a todos um Feliz Natal e um próspero Ano Novo!

Por Cristiano Pedras

(publicado em 10/12/2018)



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O homem e a natureza


Canário-da-terra (Sicalis flaveola) jovem

Há alguns meses destaquei nesta publicação o interessante estudo de Elaine Scarry, professora de ética da Universidade Harvard, acerca das relações entre a estética e a ética (a matéria pode ser acessada clicando-se neste link).

Hoje retorno ao assunto, mas trazendo um alerta: o uso inadequado de nosso senso estético pode impactar diretamente a biodiversidade. Vejamos um exemplo.

Recentemente, estive em um parque urbano para observar o comportamento das aves e notei que os canários-da-terra e os coleirinhos, cuja dieta inclui principalmente sementes de gramíneas, pareciam famintos (na foto que ilustra o post, que não foi um registro isolado, vemos um jovem canário-da-terra tentando consumir uma folha seca).

A sazonalidade poderia ser apontada como razão para a indisponibilidade das gramíneas nessa época do ano, mas na ocasião observei que funcionários utilizavam várias roçadeiras na poda de grande extensão dos gramados.

Saí dali, então, com algumas perguntas que gostaria de dividir com o leitor, para reflexão: de onde surgiu a ideia de que gramado aparado é esteticamente mais bonito? Se sabemos que algumas espécies de pássaros se alimentam das sementes de gramíneas, por que não deixar o gramado alto para facilitar a alimentação das aves?

Um jardim considerado "bem cuidado" parece ainda demandar o aparo constante do gramado, mas não devemos perder de vista que nossos gostos podem impactar diretamente a biodiversidade, se estamos efetivamente preocupados com a conservação ambiental.

Uma solução de fácil aplicação seria aparar apenas as beiradas dos gramados, deixando a parte central livre para o crescimento. Penso ser essa uma medida capaz de atender nosso senso estético e, ao mesmo tempo, o manejo ecologicamente equilibrado dos jardins. Por que não?


Pílula Ecológica


Como exemplo de visão integrada e abrangente do meio ambiente, oportuna a leitura do belíssimo poema "Leilão de Jardim", de Cecília Meireles, cujos versos falam por si:


Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?

Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

(Este é o meu leilão.)

Cecília Meireles



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