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A Árvore que Fugiu do Quintal


Elenco do musical infantil, 'A Árvore que Fugiu do Quintal',
dirigido por Zé Helou - (Foto: Divulgação)

Diante do turbilhão de acontecimentos no país nos últimos dias, cheguei a cogitar passar essa semana sem publicar nada aqui no blog. Estava decidido a levar essa ideia adiante, não houvesse assistido o excelente musical infantil A Árvore Que Fugiu Do Quintal, em cartaz até o dia 29 de maio, aos sábados e domingos, 16h, no espaço Oi Futuro, localizado no bairro do Flamengo (Rua Dois de Dezembro, 63), no Rio de Janeiro.

Engana-se quem pensa se tratar de história que desperte o interesse apenas do público infantil. A narrativa é capaz de emocionar crianças e adultos - pessoalmente, fiquei com os olhos marejados em ao menos dois momentos - e traz uma reflexão muito séria, embora tratada de maneira lúdica, sobre como nosso modo de viver tem contribuído severamente para a destruição do meio ambiente.

A nova montagem, idealizada e dirigida por Zé Helou, que com nove anos de idade assistiu e se encantou com a primeira montagem, dirigida na década de 90 por Isaac Bernat, tem texto de Ricardo Hofstetter, adaptado do livro homônio de Alvaro Ottoni de Menezes, lançado originalmente em 1981.

A peça conta a história de uma Árvore (Tatih Köler) que, para escapar da morte após a venda do terreno a um empreendedor, e contando com a ajuda de Joãozinho (Saulo Segreto) e seus amigos, aprende a andar e sai em busca de um lugar onde as pessoas ainda valorizem a natureza.

No caminho a Árvore depara-se com outras vítimas das ações humanas, um Pássaro que perdeu suas cores (Mariah Viamonte), a Chapeuzinho Vermelho (Cacá Ottoni) que ficou cinza e o Peixe Fora D'água (Reiner Tenente) que fugiu da água poluída do mar.

Há, ainda, outros personagens interessantes, como o Intelectual (Saulo Segreto) que é detentor de grande inteligência, mas só vive no mundo das ideias, e o Jardineiro (Reiner Tenente), que acompanha e cuida da Árvore no final de sua jornada, sendo também o que mais se assemelha às crianças, pela pureza de sentimento que nutre em relação à Árvore.

A atuação do elenco é impecável, o figurino e o cenário, de Clivia Cohen, são de altíssimo nível, e as músicas, de Vinicius Castro e direção musical de Alexandre Queiroz, são executadas ao vivo, o que torna o espetáculo ainda mais especial.

Deixo aqui um convite ao leitor para que assista o musical com seu filho, sobrinho, neto, afilhado, etc.. Quem sabe assim, nas palavras do diretor cultural do Oi Futuro, Roberto Guimarães, você possa "recontar as aventuras dessa árvore... E mais ainda: desejar plantar uma árvore...".



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