Mostrando postagens com marcador Ornitólogo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ornitólogo. Mostrar todas as postagens

Entrevista com Henrique Rajão


O biólogo especialista em aves (ornitólogo), Henrique Rajão
(Aleia Karl Glasl - Andiroba - Jardim Botânico do Rio de Janeiro)

5 MIN, DE LEITURA

Responsável por conduzir o passeio para observação de aves que ocorre todo último sábado do mês, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o biólogo especialista em aves Henrique Rajão (46) é o entrevistado de hoje do blog Aves & Árvores, que completou dois anos de criação no último dia 10 de janeiro.

Formado em Biologia pela UFRJ, com mestrado em Zoologia no Museu Nacional e doutorado em Genética pelo Departamento de Genética da UFRJ, Rajão é também professor adjunto do Departamento de Biologia da PUC-RJ e um dos autores do guia de campo Aves do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, além de colaborador do Projeto de Conservação da Fauna do JBRJ.

A entrevista foi concedida num clima informal, durante almoço de confraternização dos integrantes do Clube de Observadores de Aves do Rio de Janeiro (COA-RJ). Como você confere a seguir, Rajão traz algumas curiosidades sobre sua trajetória e um pouco da história do passeio, que em fevereiro de 2017 irá completar 15 anos de existência.


Entrevista com Henrique Rajão


Aves & Árvores: Como surgiu a ideia de um encontro para observação de aves no Jardim Botânico do Rio?

Henrique Rajão: Tudo começou em 2002, quando fui contatado pelo então presidente da Associação dos Amigos do Jardim Botânico, que me disse que um sócio não identificado havia doado vários binóculos, para serem utilizados dentro do Jardim. Daí surgiu a ideia do passeio.

Aves & Árvores: O que achou da ideia?

Henrique Rajão: De início recusei, argumentando que era um "cientista" e não um guia turístico. Após alguma insistência conduzi o encontro que para mim seria o único. Ao final, os participantes ficaram entusiasmados e cobraram uma nova data e o encontro se tornou rotina. Com o tempo percebi a importância dessa integração do ponto de vista da ecologia urbana. O fato é que esse é um encontro pioneiro no Brasil e tem se repetido, mesmo em dias de chuva, ao longo dos últimos 15 anos, que serão completados agora em fevereiro de 2017.

Aves & Árvores: Como descobriu o gosto pelas aves?

Henrique Rajão: Eu gosto de natureza desde pequeno, mas sempre fui apaixonado por mar. Eu morei em Paquetá a minha infância toda e não ligava a mínima para as aves. Gostava de peixe, de polvo, entrei na biologia para fazer biologia marinha. Eu tinha certeza absoluta disso, desde 5 anos de idade.

Aves & Árvores: Quando isso mudou?

Meu primeiro estágio foi em biologia marinha. Foi quando eu vi que não era essa coisa toda, não me encantei tanto. Eu tinha medo de tubarão e mergulhei em lugares com águas turvas, em Angra dos Reis, em um lugar atrás da usina nuclear. Era bem diferente das águas do Caribe que povoavam minha imaginação. Então, na faculdade, por volta do segundo para o terceiro ano, aceitei um convite para fazer estágio em uma fazenda no Pantanal. 

Aves & Árvores: O que te encantou no Pantanal?

Henrique Rajão: Esse estágio era para durar uma semana, mas fiquei por lá três meses, com uma única bermuda e sem camisa. Na maior parte do tempo trabalhei com jacarés, até que na última semana fui encarregado de fazer o levantamento das aves da fazenda. Na época me deram um binóculo e um guia de campo do Dalgas Frisch. As pessoas achavam que eu tinha morrido, porque saía 4h e retornava lá pelas 22h. Eu lembro das Araras-azuis voando ao pôr-do-sol, com aquele barulho vindo de longe, algo de arrepiar. Era uma sexta-feira, por volta das 18h30 e uma colega me perguntou: já imaginou como está a cidade de São Paulo a essa hora, com engarrafamento, buzinas? Quando saí de lá botei na minha cabeça que queria trabalhar com a arara-azul. 

Aves & Árvores: Foi nesse dia que decidiu ser ornitólogo?

Henrique Rajão: Não exatamente. Depois desse estágio fui trabalhar com sapos na Ilha do Cardoso e lembro de um dia de neblina na mata, no pico de uma montanha, um pequeno beija-flor voando, peguei então uma fichinha de campo em que escrevi: "decidi em caráter irrevogável que vou trabalhar com ornitologia".


Ficha de campo de Henrique Rajão (10/04/91)
em que registrou o desejo de ser ornitólogo
(foto: arquivo pessoal)

Aves & Árvores: Tem uma ave preferida?

Henrique Rajão: Tem um passarinho de que gosto muito: a saíra-militar. Ela tem uma faixa vermelha ao redor do pescoço, um absurdo de bonita, mas não aparece com tanta frequência no Jardim.

Aves & Árvores: E dentro do Jardim Botânico, gosta de alguma área em especial?

Henrique Rajão: Talvez a "região amazônica", por ser uma mata fechada, alta, bonita.

Aves & Árvores: Quando está passeando em família, consegue se desligar das aves?

Henrique Rajão: Não sou "viciado" em aves. Gosto de estar em contato com a natureza em geral.

Aves & Árvores: É verdade que tem simpatia pelo budismo? Consegue meditar na mata?

Henrique Rajão: Gosto muito dos textos do monge budista vietnamita Thich Nhat Hanh. Já a meditação, é curioso, não pratico na mata, talvez por estar concentrado nas aves, mas em casa.


Pílula ecológica


A pílula ecológica de hoje não poderia ser diferente: compareça ao Encontro de Observação de Aves no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, conduzido pelo ornitógico Henrique Rajão, que acontece todo último sábado do mês, às 8h da manhã, em frente ao Café Botânica, dentro do Jardim (detalhes sobre o estacionamento podem ser acessados aqui). 

O encontro é gratuito, mas para não associados é cobrado ingresso de R$ 15,00 (valor atualizado até janeiro de 2017). Regras sobre meia entrada e outros detalhes podem ser acessados aqui.



Cadastre-se

* preenchimento obrigatório

Passarinhada de Primavera no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (2015)


Maracanã-pequena (Diopsittaca nobilis) consumindo dendê

Desde pequeno ouço dizer que no Brasil as estações do ano não são bem definidas, como no Velho Mundo. No Rio de Janeiro, em especial, fala-se que não há, a rigor, verão ou inverno. As diferenças de temperatura seriam explicadas conforme a passagem das frentes frias.

É bem verdade que a instabilidade climática das últimas semanas confirmam esse fato, mas desde que iniciei no “birdwatching”, há cerca de três anos, percebi que as coisas não são bem assim no mundo das aves.

Há uma estação do ano bastante especial para as aves, a primavera, onde elas costumam ostentar plumagem nupcial, diferente da plumagem de descanso reprodutivo, para atrair a atenção do parceiro, acasalar, procriar e cuidar dos filhotes.

Nessa época as aves são observadas em abundância, afinal, é o principal período do ano em que se trava a luta pela perpetuação da vida.

A passarinhada do último sábado (28 de novembro) no Jardim Botânico do Rio de Janeiro é mais uma demonstração de que, ao menos no universo das aves, a primavera costuma ser bem demarcada (para saber mais sobre a passarinhada mensal no Jardim visite esse link).

Por estarmos no final da estação, com o verão se aproximando, foi possível avistar um bom número de filhotes já saídos do ninho, como esse jovem Coleirinho (Sporophila caerulescens), flagrado logo após ser alimentado pelo macho adulto da espécie. O foco não estava bom, mas a foto vale como registro.

Coleirinho (Sporophila caerulescens) alimentando filhote
(clique para ampliar)

Outro filhote avistado foi o da espécie Jacupemba (Penelope superciliaris), empoleirado ainda perto dos pais. A fotografia também não foi lá essas coisas, mas vale a título de registro.

Filhote de Jacupemba (Penelope superciliaris)
(clique para ampliar)

Além dos filhotes, chamaram bastante atenção os psitacídeos, que estavam em grande número e desceram a uma altura incomum, já que normalmente ocupam o estrato mais alto das árvores.

Na região do Jardim Botânico conhecida como ‘restinga’, várias Maracanãs-pequenas (Diopsittaca nobilis) puderam ser observadas consumindo dendê na palmeira comumente utilizada por lavadeiras-mascaradas (Fluvicola nengeta) para a construção de ninhos. Além da foto que inicia esse post, fiz esse registro de mais um indivíduo da espécie, alimentando-se do fruto do dendezeiro.

Maracanã-pequena (Diopsittaca nobilis)
(clique para ampliar)

Também a uma altura muito baixa, mais que a usual, foram avistadas Jandaias-verdadeiras (Aratinga jandaya), numa árvore bem próxima ao Lago Frei Leandro, aquele lago central conhecido de muitos dos frequentadores do Jardim Botânico. Uma delas mereceu esse clique.

Jandaia-verdadeira (Aratinga jandaya)
(clique para ampliar)

Com as embaúbas (Cecropia sp.) frutificando, os Tucanos-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus) apareceram aos montes. Consegui fotografar um par deles, deixando à mostra o fruto da embaúba.

Tucanos-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus)
(clique para ampliar)

Ao final da passarinhada quem marcou presença foi um pequeno lagarto do gênero Anolis sp., de hábito arborícola (nunca desce ao chão), no local conhecido como a 'região amazônica' do Jardim Botânico. Segundo o biólogo e ornitólogo Henrique Rajão, que conduz a passarinhada mensal no Jardim Botânico, esse lagarto não era visto ali no Jardim há pelo menos dois anos.

Com a foto dessa preciosidade, por ora, me despeço, convidando o leitor a continuar a acompanhar os posts do blog Aves & Árvores, que já caminha para completar o seu primeiro ano de vida, no próximo dia 10 de janeiro de 2016. Vida longa ao blog e à consciência ambiental!

***

PS.: Para não perder os próximos posts do blog, informe seu e-mail na caixa 'cadastre-se', localizada na barra lateral do site, junto ao topo da página. Aproveite, é gratuito!

Anolis sp.
(clique para ampliar)



Cadastre-se

* preenchimento obrigatório

Príncipe de volta ao Jardim Botânico!


Príncipe (Pyrocephalus rubinus)

O Príncipe (Pyrocephalus rubinus) é ave migratória. Com a chegada do inverno nas regiões Sul e Sudeste do país, a espécie sobe em direção à Amazônia, retornando na primavera e verão.

Segundo o Guia de Campo das aves do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, idealizado por Lena Trindade e Plínio Loures Senna, e com verbetes do ornitólogo Henrique Rajão, que é também quem conduz o passeio mensal de observação de aves no Jardim Botânico, essa linda ave ocorre ali apenas ocasionalmente, principalmente no arboreto, pousado em árvores isoladas ou arbustos.

Isso talvez se deva por ser a nossa estrela uma ave acostumada a viver em campos e cerrados, daí certa dificuldade em observá-la nos grandes centros urbanos.

Por esses motivos, toda vez que se tem notícia do seu aparecimento no Jardim Botânico, é uma correria só para observar o bicho, que, além de muito bonito, é bem generoso em deixar-se fotografar, já que cumpre à risca o hábito de "pousar em galhos expostos".

Lembro que a última notícia que tive de seu aparecimento no Jardim Botânico foi no final do ano de 2013. Quem fez o seu registro, à época, foi o amigo José Eduardo Cruz, que gentilmente cedeu a imagem para divulgação neste blog. O registro foi feito dia 22 de novembro de 2013, às 7h55.


Príncipe (Pyrocephalus rubinus)
(foto: José Eduardo Cruz)

Naquele ano não tive a oportunidade de ir ao Jardim Botânico, no lugar onde ele costuma dar as caras por lá, o "jardim de plantas bíblicas", nome bem apropriado, aliás, para sua ocorrência, porque o seu avistamento é algo bem próximo da ideia que concebo sobre o paraíso.

Desde então, passados quase dois anos de seu último aparecimento no Jardim, e contando com a generosidade do fotógrafo Sergio Costa, que primeiro noticiou o retorno do Príncipe ao Jardim, e com o auxílio providencial da fotógrafa e amiga Paula Maria Medeiros, consegui, finalmente, no dia de ontem (19 de setembro, às 11h45) meu primeiro avistamento e registro fotográfico!

Pois é amigos, no último post falava sobre o conjunto de sentimentos que costuma acompanhar um "lifer", e agora escrevo sob a forte emoção do primeiro encontro, nem tanto pela beleza da ave, que é indiscutível, mas pela raridade de sua ocorrência no Jardim Botânico (basta vislumbrar que, ao terminar de escrever esse artigo, é possível que o Príncipe já tenha deixado o Jardim).

O Príncipe estava ali, tipicamente pousado sob o sol em um galho exposto, o que me permitiu realizar "fotos até cansar", como bem disseram Sérgio e o fotógrafo Flávio Pereira.

Além da foto que inicia esse post, gostaria de encerrar com o registro a seguir, agora com a ave em um galho mais baixo ("na altura dos olhos", conforme dica da Paula), com um belo verde ao fundo, no tom da esperança de que o Príncipe retorne mais uma vez ao Jardim, como tem feito, para brindar com sua presença as gerações de observadores de aves que ainda estão por vir.

Aos queridos Sergio Costa e Paula Maria Medeiros, meu profundo agradecimento, mais uma vez, por proporcionarem esse momento único em minha vida.

Príncipe (Pyrocephalus rubinus)
(clique para ampliar)



Cadastre-se

* preenchimento obrigatório

Passarinhada em comemoração aos 30 anos do COA-RJ


Casal de Saíra-sete-cores (Tangara seledon)

No último sábado (29 de agosto) realizou-se no Jardim Botânico do Rio de Janeiro uma especial passarinhada em comemoração aos 30 anos do Clube de Observadores de Aves (COA-RJ), numa rara oportunidade de confraternização entre alguns dos sócios-fundadores do Clube e a nova geração de observadores de aves.

Passarinhada de Inverno no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (2015)


Tiriba-de-testa-vermelha (Purrhura frontalis)
consumindo os frutos de uma Alchornea sp.

O encontro de observadores de aves no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, ocorrido no último dia 25 de julho, foi marcado por surpresas agradáveis, a começar pela manhã, que começou chuvosa, mas que logo se transformou em um dia de céu claro e limpo.

O ornitólogo Henrique Rajão, que conduz o passeio de observação de aves no Jardim Botânico há mais de uma década foi taxativo ao telefone: "Cristiano, estou indo para o Jardim, é melhor do que ficar em casa; nesses anos todos somente em uma ocasião a manhã permaneceu chuvosa, na maioria das vezes o sol sempre apareceu!".

Confiante nas palavras do mestre lá fui eu para o Jardim Botânico, usando uma calça jeans, a camisa do blog e portando uma mochila na qual levava o binóculo e a máquina fotográfica (sim, esqueci de levar o guarda-chuva!).

Chegando lá verifiquei que alguns amigos também estavam com seus equipamentos de observação e fotografia, o que me fez pensar que os apaixonados pelas aves são antes de tudo pessoas otimistas. 

Mas no início do passeio a natureza não deu trégua: ventava bastante e a chuva começou a apertar. A saída foi procurar refúgio debaixo das árvores e o grupo partiu logo para o "Caminho da Mata Atlântica", localizado na parte mais alta do Jardim.

A escolha não poderia ter sido mais acertada: após alguns minutos, enquanto observávamos uma fêmea de Rendeira adensando o ninho recém construído, e uma preguiça-de-três-dedos (Bradypus variegatus) que escalava um tronco de árvore em um impressionante mimetismo, o tempo começou a abrir, confirmando a "profecia" de Henrique. Nesse momento, um macho especialmente colorido de Arapaçu-verde começou a cortejar a fêmea da espécie e protagonizou um momento bem especial para a observação.

Naquele dia tive de me despedir mais cedo dos amigos, mas em um lance de bastante sorte, já de saída do Jardim, no local conhecido como "restinga" pude observar com bastante facilidade Tiribas-de-testa-vermelha fartando-se dos frutos possivelmente de uma Alchornea sp. (a tiriba e o fruto podem ser vistos na foto que inicia a postagem). Na mesma região, consegui ainda meu melhor registro de um Teque-teque, o que me deixou muito feliz.

As imagens do Arapaçu-verde e do teque-teque fotografados, além de uma Cambacica registrada junto a uma flor de Mulungu (Erythrina mulungu) serão disponibilizadas ao longo da semana no Instagram do Aves & Árvores e na Fan Page do blog no Facebook. Acompanhe!



Cadastre-se

* preenchimento obrigatório

Passarinhada de Outono no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (2015)

Urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura)

Como já havíamos adiantado em post anterior, ocorreram no último sábado (9 de maio) três eventos simultâneos no Jardim Botânico do Rio de Janeiro: a contagem científica de aves, o "Viva a Mata 2015" e o passeio mensal de observação de aves (saiba mais sobre a passarinhada que ocorre todos os meses no Jardim Botânico).

No início da manhã, acompanhamos o grupo que realizou a contagem científica das aves, ligado ao programa Cidadão Cientista de registro e monitoramento das aves brasileiras, organizado pela SAVE Brasil, que faz parte da aliança global da BirdLife International, presente em mais de 100 países.

O dia era típico de outono na cidade do Rio de Janeiro: céu claro, sem nuvens e com temperatura amena, condições ideais para o passeio ao ar livre e uma boa passarinhada.

Não faltaram as térmicas, tão apreciadas pelos Urubus-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura), como esse que flagramos em um belo e rasante voo planado, próximo ao chafariz central.

No meio da manhã, acompanhamos o ornitólogo Henrique Rajão que guiou várias pessoas pela primeira vez presentes na passarinhada do Jardim Botânico. O grupo era numeroso e mostrou bastante interesse em conhecer os hábitos das aves.

Para dar as boas-vindas aos iniciantes, a magnífica Saíra-ferrugem (Hemithraupis ruficapilla) desceu bem perto dos observadores que, encantados com a beleza dessa ave, puderam fazer o registro fotográfico.


Saíra-ferrugem (Hemithraupis ruficapilla)
(clique para ampliar)

E para prestigiar a Fundação SOS Mata Atlântica, que estará com seu ônibus estacionado próximo ao Museu do Meio Ambiente até o próximo dia 17 de maio, alguns mamíferos encontrados na Mata Atlântica também deram as caras, para a alegria geral.


O ônibus da Fundação SOS Mata Atlântica ficará 
no Jardim Botânico até o dia 17 de maio
(clique para ampliar)


Foi o caso de uma fêmea prenha de Preguiça-de-três-dedos (Bradypus variegatus), que, com seu movimento lento e suave, apareceu no "Caminho da Mata Atlântica", localizado na parte mais superior do arboreto, prestando, assim, uma homenagem antecipada pelo dia das mães.


Uma fêmea prenha de Preguiça-de-três-dedos (Bradypus variegatus) 
prestou sua homenagem antecipada pelo dia das mães
(clique para ampliar)


Quem também apareceu no arboreto foram os Macacos-prego (Cebus apella). Flagramos um deles bem no alto de um Cedro-rosa (Cedrela fissilis), localizado na aleia Pedro Gordilho, próximo à famosa Cascata do Jardim Botânico. Os raios solares com sua inclinação característica do outono valorizaram o registro fotográfico. Aliás, se há algo de "transcendental" a esse mundo, certamente se encontra na luz de outono da Mata Atlântica carioca!


Macaco-prego (Cebus apella) e a luz "transcendental"
de outono da Mata Atlântica carioca
(clique para ampliar)


Como ocorreram diversas atividades no Jardim, tivemos a oportunidade de passar o dia inteiro ali. E como foi boa essa experiência! 

Com o avançar do tempo, num mesmo trecho da mata, diferentes e belas paisagens se formaram, nos dando a sensação de que estávamos a caminhar, a cada momento, em um lugar novo.

Acabamos por observar algumas aves não avistadas no período matinal. Conseguimos um registro da linda Jandaia-verdadeira (Aratinga jandaya), pousada no topo de uma altíssima Palmeira-imperial (Roystonea oleracea) que estava totalmente desfolhada, possivelmente atingida por um raio, como ocorrera com o primeiro exemplar (Palma Mater) plantado pelo Príncipe Regente Dom João VI, em 1809, atingido em 1972.


Jandaia-verdadeira (Aratinga jandaya)
(clique para ampliar)

E como não poderia deixar de ocorrer, registramos, mais uma vez, o belíssimo Tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus), presença marcante e quase sempre certa no Jardim, que se encontrava empoleirado em uma árvore baixa na região da "restinga".


Tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus)
(clique para ampliar)

No final da passarinhada, na mesma região da "restinga", um Socozinho (Butorides striata) jovem veio fazer o que mais gosta no Jardim: "pescar" por sobre um belo exemplar de Vitória-régia (Victoria amazonica).


Socozinho (Butorides striata)
(clique para ampliar)

Gostou desse post? Deixe aqui seu comentário, divulgue o blog e ajude a semear a consciência ambiental!



Cadastre-se

* preenchimento obrigatório

O que é o GLOBAL BIG DAY?


No próximo sábado (9 de maio de 2015) ocorrerá a primeira ação conjunta de observadores de aves de todo o mundo, que sairão a campo para registrar o maior número possível de aves em um único dia, num verdadeiro esforço de mapeamento da ocorrência das espécies, com vistas à construção de estratégias de conservação.

O assim chamado GLOBAL BIG DAY é uma iniciativa do famoso Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell (EUA). No Brasil há um grupo no Facebook organizando o evento, que pretende conseguir o registro no maior número de cidades brasileiras, cobrindo todos os biomas.

A ideia é sair para passarinhar e registrar o avistamento das espécies na plataforma eBird, um programa de "checklist" em tempo real.

Quem estiver no Jardim Botânico do Rio de Janeiro no próximo sábado terá diversão garantida, pois ocorrerá, além desse evento, a já tradicional passarinhada mensal liderada pelo ornitólogo Henrique Rajão (conheça sobre as passarinhadas que ocorrem todo mês no Jardim Botânico do Rio).

No mesmo dia, ocorrerá, também, o evento Viva a Mata 2015, organizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, que irá promover ali uma série de atividades que se estenderão até o próximo dia 17 de maio.

Reúna seus amigos para passarinhar, faça seu registro de avistamentos e ajude a semear a consciência ambiental!



Cadastre-se

* preenchimento obrigatório

Observação de Aves no Jardim Botânico do Rio de Janeiro: uma introdução


Jardim Botânico do Rio de Janeiro - Chafariz central

1 MIN, DE LEITURA

O Jardim Botânico do Rio de Janeiro, situado na zona sul da cidade, é certamente um daqueles lugares que ocupam um espaço especial no coração do carioca.

Fundado em 1808 (mesmo ano em que a Família Real veio ao Brasil), conta com uma extensa e diversificada área verde, tendo sido utilizado, inicialmente, como local de pesquisa com vegetais oriundos de outras províncias de Portugal.

Atualmente, o Jardim ainda conserva a função de um instituto de pesquisas, mas vem funcionando muito bem como um espaço de lazer e de contemplação da natureza. Trata-se de uma joia rara, verdadeiro refúgio contra o estresse da cidade grande.

Nos últimos anos, o Jardim vem recebendo crescente visita de observadores de aves, que ali encontram um local seguro para apreciá-las e fotografá-las.

A saída para a "passarinhada" costuma ocorrer no último sábado de cada mês, a partir das 8h, e o ponto de encontro é o antigo Café Botânica (atual Garden Café), localizado atrás do Centro de Visitantes, já dentro do Jardim.

À frente dos observadores e curiosos, o ornitólogo Henrique Rajão conduz um passeio mensal e transmite informações valiosas sobre o hábito das aves.


Coleirinho (Sporophila caerulescens)
(*fotografado no Jardim Botânico do Rio em 16/12/2017)


O encontro de observação de aves é gratuito, mas para não associados é cobrado ingresso em dinheiro de R$ 15,00 (valor atualizado até fevereiro de 2018). Regras sobre meia entrada e outros detalhes podem ser acessados aqui.

Detalhes sobre o estacionamento podem ser acessados aqui. 

E você, o que está esperando para comparecer à próxima passarinhada?

Por Cristiano Pedras

(publicado em 31/01/2015)

(revisado em 03/02/2018)



Cadastre-se

* preenchimento obrigatório