Sobre estética e ética


Ninfeia (Nymphaea sp.)

Além de contemplar a natureza e fotografá-la, gosto muito de literatura. Com o tempo descobri que ela permite integrar a beleza estética do mundo com algo interiormente significativo. 

Diante da enormidade de informações a que somos submetidos todos os dias nas mídias digitais, tenho lido menos do que gostaria, mas o suficiente para não deixar a imaginação adormecida.

Numa dessas andanças em livrarias da cidade, deparei com o excelente livro Ponto de Fuga: conversa sobre livros, da imortal Ana Maria Machado, em que a autora, ocupante da cadeira número 1 da Academia Brasileira de Letras, destaca um estudo muito interessante de Elaine Scarry, professora de estética da Universidade Harvard, acerca das relações entre a estética e a ética, denominado On Beauty and Being Just.

Segundo Ana Maria Machado, a autora sustenta que o convívio com o belo renova nossa busca de verdade e nos empurra em direção a uma preocupação cada vez maior com a justiça, acentuando que o desenvolvimento da percepção da simetria e harmonia nos leva a buscar uma distribuição equilibrada. E que a intensidade do maravilhamento com a beleza tende a ser expansiva, levando a pessoa a querer dividir suas sensações com os outros.

Eis aí, portanto, mais um motivo para a preservação ambiental: conservando as paisagens naturais estamos, ao mesmo tempo, resguardando às atuais e futuras gerações o acesso à mais essencial fonte do prazer estético, que, segundo o estudo de Scarry, encontra-se intimamente ligado ao desenvolvimento ético do ser humano.

PS: Para quem se interessou pelo livro de Ana Maria Machado, escrevi uma resenha sobre ele no Skoob, a maior rede social brasileira direcionada aos leitores. Para acessar a resenha, basta clicar aqui.



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2 comentários:

  1. Respostas
    1. Oi, Fernando! Fico feliz que tenha gostado da matéria. Obrigado por sua visita e por deixar aqui sua impressão. Grande abraço.

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