Por que preservar a natureza?


Harari e seu best-seller internacional
Sapiens: Uma breve história da humanidade
(imagem: Bradshaw Foundation)

3 MIN, DE LEITURA

Dentre as inúmeras informações relevantes que podem ser extraídas do magnífico livro Sapiens: Uma breve história da humanidade (L&PM Editores, 29ª ed.), do talentoso professor de História da Universidade Hebraica de Jerusalém, Yuval Noah Harari, uma das mais impactantes talvez seja a de que "degradação ecológica não é o mesmo que escassez de recursos".

O autor argumenta que os recursos disponíveis para a humanidade estão crescendo constantemente, fruto da Revolução Industrial, que na verdade foi uma revolução na conversão de energia (Einstein demonstrou que qualquer tipo de massa pode ser convertido em energia - é isso o que E = mcsignifica).

Harari afirma que até então os humanos só tinham uma máquina capaz de converter uma energia em outra: o corpo. Atualmente convertemos calor em movimento (motor de combustão interna), descobrimos a eletricidade e já se sabe que vivemos imersos em um oceano enorme de energia, o Sol, e "tudo que precisamos fazer é inventar geradores melhores".

Então, fica a pergunta: se a degradação ecológica não significa escassez de recursos, por que então preservar a natureza? Uma resposta poderia ser buscada no campo da ética, mas quanto a esse aspecto pondera Harari, com aguçado senso crítico: "a história da ética é um conto triste de ideais maravilhosos que ninguém consegue colocar em prática".

Devemos preservar a natureza simplesmente porque a desordem ecológica (aquecimento global, aumento do nível dos oceanos, poluição atmosférica, etc.) pode ameaçar a sobrevivência do próprio Homo Sapiens! Sim, já que não somos altruístas o suficiente para nos importar com a sobrevivência de outros seres vivos, devemos pautar nossa conduta ao menos para assegurar nosso futuro enquanto espécie.

Segundo Harari, "muitos chamam (todo) esse processo de destruição da natureza. Mas, na verdade, não é destruição, é transformação. A natureza não pode ser destruída. Há 65 milhões de anos, um asteroide exterminou os dinossauros, mas ao fazer isso abriu caminho para os mamíferos. Hoje, a humanidade está levando muitas espécies à extinção e pode inclusive aniquilar a si mesma. Mas outros organismos estão se saindo muito bem. Ratos e baratas, por exemplo, estão em seu apogeu. Essas criaturas obstinadas provavelmente sairiam debaixo dos escombros fumacentos de um armagedom nuclear prontas para espalhar seu DNA. Talvez daqui a 65 milhões de anos, ratos inteligentes olhem para trás e sintam-se gratos pela dizimação causada pela humanidade, assim como hoje podemos agradecer àquele asteroide que destruiu os dinossauros".

Considerando que vivemos hoje, segundo Harari, de acordo com a ética capitalista-consumista, em que há "de um lado os ricos e seu mandamento supremo - "invista!" - e de outro o resto de nós e o mandamento supremo - "compre!" (para ele essa é a primeira religião na história cujos seguidores realmente fazem o que se espera que façam), a chave para a alteração do quadro atual de degradação ecológica deve passar pela mudança de nossos hábitos de consumo. Assim, quem sabe, poderá haver esperança no futuro da humanidade.

Pílula Ecológica

A seguir elencamos 10 hábitos que podem fazer toda a diferença para a sustentabilidade do planeta:

1 - Uso racional da água
2 - Uso racional da energia elétrica
3 - Consumo de alimentos orgânicos e com certificação ambiental
4 - Redução do consumo de papel
5 - Redução do uso de produtos descartáveis
6 - Utilização racional de veículos automotores
7 - Separação do lixo orgânico do lixo industrial
8 - Descarte adequado de medicamentos e resíduos domésticos
9 - Descarte adequado de pilhas e baterias
10 - Ativismo ambiental

Por Cristiano Pedras

(publicado em 05/03/2018)



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2 comentários:

  1. Adorei! Fico feliz por estar no caminho certo e contribuindo para ajudar a natureza, Tentando controlar o ímpeto co consumismo. Rsrs

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    1. Que bom, mãe! Consumismo é diferente de consumo consciente. Faz mal à saúde e à natureza. Um bj.

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