Crônicas de Biologia da Conservação para um mundo melhor


(Foto: Divulgação)

Ao escrever sobre o recém-lançado livro de divulgação científica "Os Mastodontes de Barriga Cheia e Outras Histórias...", de Fernando Fernandez, tinha em mente destacar em diferentes posts alguns memoráveis capítulos da obra, mas logo percebi que cometeria uma tremenda injustiça com o autor que, por reunir em magníficas crônicas os assuntos mais importantes ligados à biologia e conservação da natureza, merece calorosos aplausos por todo o conjunto da obra!

A indicação desse livro me veio de outro expoente da biologia nacional, que tenho o privilégio de ter entre os seguidores aqui do blog, o estimado ornitólogo José Fernando Pacheco. Pra quem não sabe, o nome científico do pássaro Tapaculo-ferreirinho (Scytalopus pachecoi) é homenagem a esse grande ornitólogo brasileiro, responsável por elevar aquela ave, antes considerada uma subespécie do Tapaculo-preto (Scytalopus speluncae), à condição de espécie, ao demonstrar diferenças em sua plumagem e vocalização.

Sobre o autor do livro, Fernando Fernandez é PhD em Ecologia pela Durham University (Inglaterra) e Professor do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas deixa claro na obra que não é nenhum "tecnocrata", e talvez por isso sejam notáveis sua habilidade de comunicação com o público, sua clareza de pensamento e sensibilidade, frutos de uma cultura geral que demonstra ser vastíssima.

É também elogiável seu ativismo ecológico à frente do Laboratório de Ecologia e Conservação de Populações da UFRJ, em um projeto, já em curso em associação a outros pesquisadores, que pretende realizar a "refaunação" (reintrodução de espécies nativas recém-extintas localmente) do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro (já houve a reintrodução de cutias, bugios e outras espécies estão por vir).

As crônicas são divididas em 6 grandes temas (Históricas, Conservacionistas, Gouldianas, Filosóficas, Biofílicas e Utópicas) e, apesar de tratadas separadamente, muitas vezes se relacionam: uma resposta à pergunta 'Por que conservar a natureza afinal?', por exemplo, pode ser encontrada no 'Estudo de um caso perdido: o falcão de Maurício e a Biologia da Conservação' e assim por diante.

O livro é escrito por alguém que certamente encontrou sua missão nesse mundo, tem uma linguagem despida de vaidade intelectual ou profissional e desperta no leitor verdadeiro fascínio pelas ciências biológicas. Não é exagero dizer que deveria ser recomendado desde os bancos escolares, em razão de seu enorme potencial para o autoconhecimento e a consequente mudança de hábitos de consumo, tão necessária à preservação de nosso planeta.

Como bem escreveu Eduardo Pegurier (editor do site O Eco), ao prefaciar essa verdadeira obra-prima da Biologia da Conservação, "você não passará intacto por este livro. Dependendo da idade, corre o risco de virar biólogo ou lamentar não ter estudado biologia". É, pensando bem, receio estar enquadrado neste último caso.



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6 comentários:

  1. Cristiano,

    Parabéns pelas postagens, estão excelentes.
    Quanto ao livro "Os Mastodontes de Barriga Cheia e Outras histórias..., pretendo comprá-lo e efetuar a leitura. Acho que os parágrafos finais desta publicação também se aplicam a mim. Um forte abraço.

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    1. Obrigado, Sebastião. Fico feliz que esteja gostando. Quanto ao livro, esteja certo de que encontrará uma leitura muito agradável e sobre temas importantes para a conservação da natureza. Possivelmente se tornará mais um divulgador da obra. Grande abraço!

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  2. Filho, parabéns pela matéria! Como apaixonado pela natureza, imagino o seu encantamento ao desfrutar desta leitura. Confesso que tb fiquei interessada em adquirir esta obra. As ciências biológicas estão de fato, intimamente ligadas a pessoas especiais, com alta sensibilidade, que observando as coisas simples da natureza, nos faz refletir e evocar às demais, o respeito e a conscientização ao meio ambiente de forma geral. Você é uma delas!

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  3. Olá Cristiano. Muito bom ler essas linhas e saber que "Mastodontes" o levou a escrever este post. A escrita do Fernandez é engajada, rica em informações e, sobretudo, cativante. O trecho do Prefácio do Pegurier, aqui transcrito, dá a exata medida do maravilhamento que o livro opera no leitor sensível à conservação e ao estudo dos seres vivos.

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    1. Exato, Fernando. Obrigado mais uma pela indicação, realmente um grande achado!

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